domingo, 31 de março de 2013

a Filmografia de James Orin Incandenza

Assim como eu tinha afirmado, pretendo usar esse blog num sentido de prática para a escrita literária, certo?

E é justamente por isso que vocês, possíveis leitores, não devem levar esse post a sério. Ele é uma prática de um tipo de escrita absolutamente diferente: a acadêmica.

Ao mesmo tempo, ele não é prática porcaria nenhuma; ele é a reflexão que deveria levar a prática. E por isso mesmo ele acaba sendo um palavreado informal sobre a filmografia de James Orin Incandenza, e sobre a mulher mais bela do mundo como representativa da morte.

J.O.I., como de agora em diante vou chamá-lo, produziu filmes pelos últimos 12 anos de sua vida, e abarcou 10 gêneros diferentes de produção, e ficou particularmente conhecido por sua completa incapacidade de fazer alguma coisa sequer remotamente atraente em termos de enredo. Sua obra era seca, puramente experimental, formal.

É de se compreender isso, especialmente no início da carreira; o homem foi um gênio. Ele foi um jogador de tênis de relativamente-alto nível durante a adolescência, o que usou para conseguir uma bolsa numa boa universidade, como acontece nos Estados Unidos. Estudou física, especializou-se em óptica, e fez algumas descobertas essenciais para o desenvolvimento da fusão anelar, base para o sistema atual mais eficiente de geração de energia.

Depois de se tornar milionário através da venda de várias patentes, ele inaugurou uma academia de tênis pedagogicamente experimental, outra ventura em que foi bem sucedido.

É difícil atribuir uma data específica para o início de seu problema com a bebida, que foi aumentando aos poucos, até atingir alturas intoleráveis, das quais ele talvez tenha conseguido retornar todas ou apenas algumas vezes. Alguns diriam que era um problema genético, ou onomástico.

Ainda na direção da academia de tênis que havia fundado,  J.O.I. produzia, numa sala especial instalada para esse fim, alguns de seus filmes. Usando seu conhecimento de física, criava espelhos e lentes diversos que utilizava para dar efeitos inusitados às imagens. Seus filmes eram publicados por meio de sua própria produtora, que já se chamou Meniscus, Heliotrope, Latrodectus Mactans e Poor Yorick.

Suicidou-se enfiando a cabeça no micro-ondas. A perícia concluiu, depois de recolher os pedaços de miolo e micro-ondas espalhados pela cozinha, que ele havia aberto um buraco na porta do micro-ondas, enfiado a sua cabeça por ele, e o fechado, cuidadosamente, usando silvertape. Depois, ele ligou o micro-ondas.

Seu espectro apareceu, ainda, para um homem que estava num estado semi-consciente numa cama de hospital, e afirmou que espectros existem numa frequência de onda que nossos olhos não conseguem captar.

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