Esse é um conto que eu acabei de tirar da cabeça, o que significa que ainda está muito cru, especialmente no aspecto formal, como o sr. Nicollas seria o primeiro a ressaltar, mas resolvi já colocar aqui - até mesmo porque ele começou aqui como um possível post antes de resolver que se tornaria um conto.
Aqui vai!
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era uma vez...
um mundo cheio de pessoas Egoístas.
essas pessoas eram tão extremamente Egoístas que faziam o possível para manter as outras por fora de suas vidas, não queriam que ninguém soubesse muito - a informação, também, era delas.
nesse mundo, assim como no nosso, apesar da improbabilidade, uma grande quantidade de invenções, como as humanas, foram criadas. a música, os computadores, tudo - coisa que se explica pela evolução paralalela - evoluiu de um modo similar, ainda que não idêntico.
o Egoísmo das pessoas nesse lugar era ainda mais forte que o nosso - especialmente no que dizia aos gostos pessoais. uma pessoa criava uma música e a divulgava - pois eles eram orgulhosos, também - e a cantava e tocava e reproduzia pelas ruas da cidade ou sentados pelas praças onde os habitantes passavam como se nada acontecesse ou ficassem em suas casas apenas ouvindo sem reação aparente. o cantor, contudo, não se decepcionava, pois sabia, ainda que por instinto nativo, como as pessoas ali funcionavam; elas não gostavam que tivessem os mesmos gostos que elas, e portanto, não se manifestavam a respeito deles.
isso, é claro, tinha implicações negativas, como o fato de que a grande maioria das conversas sobre música ou assuntos que exigem a opinião pessoal (e estes, como se sabe, são todos) era completamente de críticas àquilo de que não gostavam. alguém pode até imaginar que assim, por eliminação, a pessoa poderia descobrir do que o outro gostava, mas não era assim que acontecia, por um motivo muito simples: a variedade das músicas existentes era muito grande.
a compra de CD's se tornou obsoleta após a (extremamente coincidente) invenção de algo similar à internet no planeta. a Música sempre fora um negócio anônimo, no qual os vendedores tinham diversos modos de garantir ao comprador que jamais se saberia o que ele comprava. ao longo do tempo, se verificava que a grande maioria dos CD's não vendia mais de dez ou vinte cópias; os gostos eram muito individuais, únicos. daí, todo tipo de música era vendido. a fama, é claro, não existia para os Criadores, e o dinheiro era pouco; eles eram artistas, em geral apreciados, ainda que não elogiados por suas obras, coisa que não lhes importava tanto, pois sua criação vinha da paixão pela música, suas obras do esforço para fazer um bom trabalho.
todas essas características do relacionamento social que havia entre essas pessoas se refletiam, como não podia deixar de ser, relacionamento mais íntimos. as pessoas, graças a seu Egoísmo, hesitavam, e demoravam anos até escolher aquele, aquela com quem dividiriam todos aqueles segredos, a quem revelariam como realmente eram. em geral, passavam a viver juntas após uma idade já bem avançada, embora curtos relacionamentos superficiais fossem comuns.
questões como gênero, raça, ou fatores similares, eram ignoradas no momento da escolha, pois todos se desconheciam; as afinidades e a qualidade da relação eram as características que levavam em consideração antes de decidirem viver juntos. era necessário, mesmo, pois não se conhecia o conceito de separação.
o que, devido à natureza daquele povo, nunca se soube, era que as preferências daqueles que ficavam juntos eram sempre as mesmas.
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