quarta-feira, 2 de novembro de 2011

o último post

Hoje em dia, eu diria, se me perguntassem, que eu sabia porque fazer um blog.

Claro que eu também responderia sem que ninguém me perguntasse (cof, cof), e também, que eu sei porque Eu escreveria num blog, não porque os outros escreveriam em blogs.

Há uma série de coisas.

Um é o óbvio, expressar opiniões sobre coisas sobre as quais eu não sei muito bem com quem falar. Ás vezes há um assunto interessante, e você quer conversar a respeito, mas acha que não vai interessar a ninguém. Então você não fala. Você pode falar dele no blog, e quem se interessar, lê.

O segundo, razão do nome do meu blog ser (Unrevised), é o seguinte: eu não preciso postar coisas perfeitinhas aqui. posso escrever de qualquer jeito. Não é como escrever um conto, no qual uma letra maiúscula no lugar errado pode bagunçar toda uma harmonia, e cada detalhe precisa ser considerado. hoje em dia não consigo levar menos que semanas pra escrever um conto, e em geral largo ele incompleto e fico infeliz com o resultado. aqui, eu posso escrever de qualquer jeito - ou quase - e ainda assim matar a vontade de escrever um pouco em momentos nos quais eu não estou disposto a contos. aqui posso ser como Aretino (né, Nicollas?) e escrever só com pena, papel e espírito, sem erudições ou pensamento exagerado (claro que isso é ironia²).

Além disso, às vezes é bom compartilhar desabafos de vários tipos com desconhecidos, conhecidos, e meio-conhecidos - além, é claro, de amigos. não falo familiares porque estes vão, na maioria, se enquadrar nas três categorias anteriores.

hoje, pra exemplificar o desabafo, eu tava vendo umas pessoas no facebook que se acham uma coisa tão incrível que chega a ser um pouco patético... não sei. nada particularmente a favor da humildade. digamos, Nietzsche se via como um filósofo que quebraria a visão que havia sobre seus precursores, ou seja se achava o máximo, e era completamente contra a humildade, que seria só uma desculpa do superior por ser melhor que os outros; mas ele era o Nietzsche. nada contra caras fodas que se acham caras fodas, embora eu admita que é meio desagradável (afinal, quando alguém se diz superior, está dizendo que nós somos inferiores a ele - e não é isso que todos odiamos no orgulho alheio?). mas caras quaisquer que ainda se acham caras fodas...

terminando este, que pode muito bem ser o último post da história desse blog, além de ser o mais abertamente contraditório, ainda por cima cito a bíblia: "Vaidade das vaidades".... "Tudo é vaidade."

as reticências são minha cortesia...




domingo, 17 de abril de 2011

stetestete stete stete stete stetestetestetestetestete stetestete stetestete. stete

stete stete stete stete stete stete stetevstetestetestetestete stete stete stete stete stete stete stete stetestetestete.

stete stete stete stete vstetestetestetestete.

stete.

stete.
teste

teste




teste

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fogo

Em mil novecentos e oitenta e sete, houve (ao menos é o que se ouve) uma série de incêndios em são paulo, a começar por um incêndio que atingiu um prédio famoso.

Não vou me lembrar em detalhes porque, na verdade, eu nunca soube essa história em detalhes, só li algumas coisas a respeito. O nome do prédio, por exemplo, agora me foge à memória. Sei que era um prédio no qual só havia empresas, e que o fogo se espalhou facilmente e ninguém se feriu porque o incêndio ocorreu no final de semana. Parece que alguns indícios apontavam pra um incêndio criminoso, mas alguns policiais interpretavam os mesmos indícios de forma diferente, afinal, às vezes uma palavra tem dois significados. O dono do edifício atingido, porém, era muito poderoso, o que foi suficiente para começar uma investigação mais aprofundada do caso. A grande maioria dos investigadores, a um ponto, já estava convencida de que tudo não passava de um acidente, mas o empresário fazia questão de que cada mínimo indício fosse analisado antes que a investigação fosse abandonada. Como resultado, inúmeros policiais foram, digamos assim, mantidos em atividades inúteis por meses, até chegar à inevitável conclusão. Algusn tablóides sensacionalistas, porém, descobriram, do modo mágico como esse povo descobre, vários detalhes sobre essa história, e começaram a alardear o desperdício do poder público, e sua manipulação pelas grandes empresas. Claro, como era um tablóide, não dava pra acreditar muito, mas sempre tem alguém que acredita. O que surpreendeu foi que, meses depois, outro incêndio, idêntico ao primeiro (fim de semana, no mesmo prédio), ocorreu. Os policiais correram para investigar e descobriram outra cena idêntica. O dono do edifício estava furioso. Na semana seguinte, outro edifício da mesma empresa foi vítima de um incêndio similar, e na outra, o terceiro edifício da empresa, que possuía apenas três naquela cidade. O presidente da companhia já estava em estado de stress intenso, e desde o segundo incêndio descontava cada vez mais a sua frustração nos policiais, que eram obrigados a aguentar calados. Até que, finalmente, eles não aguentaram mais. Mandaram o homem à merda, com sua empresa e o diabo que os carregasse. O presidente, surpreso, mal acreditando, tentou trazê-los de volta, mas havia abusado demais daqueles homens, que, afinal, já tinham ganhado uma pequena fortuna em subornos, e sabiam demais. Não sei se há alguma lição que podemos tirar daí. Os incêndios, certamente, especialmente ao se considerar a sua quantidade, foram criminosos. Talvez até, o primeiro tenha sido acidental, e os posteriores não; o criminoso pode ter sido alguém que se revoltou ao ler sobre a situação num tablóide, ou mesmo algum policial descontende. O fogo, aos poucos foi se espalhando, e tomando conta da situação por si mesmo. Até que ponto a sequência de acontecimentos foi vontade de alguém específico, porém, é difícil dizer. Só se sabe que a empresa sofreu muitas perdas, mas depois, consegui voltar a crescer, e hoje é uma das maiores do mundo.

Amanda

Simplesmente, e para inaugurar uma nova era na complexa relação Bruno~internet, resolvi começar rescrevendo sobre uma coisa de que eu realmente gosto: Amanda Palmer. Amanda é uma dessas artistas estranhas que há por aí. Seu primeiro trabalho que conheço, é o cd "A is for accident", do duo "The Dresden Dolls", composto por ela mesma e pelo magnífico baterista Brian Viglione e, até o momento, a melhor coisa que já me aconteceu na música. O primeiro CD, mera gravação de baixa qualidade de um show da banda, já mostra o potencial e a capacidade dessa moça de criar letras lindas, e harmonizá-las a uma performance emocionada e a melodias adequadas. Os CD's subsequentes do duo mantiveram, e até aumentaram a qualidade do trabalho daquela que já era uma grande banda. Seu modo não ortodoxo de se expressar, somado a uma coragem dificilmente encontrada na mídia (que vai de palavras a atitudes) os tornaram únicos, e Amanda Palmer, mesmo após o término da banda, continuaria aperfeiçoando sua habilidade na construção metódica de letras incríveis e exigentes, como se pode ver na música Runs in the family, cheia de aliterações e possibilidades de significado. Depois, ela ainda criaria, em parceria com Jason Webley, o "duo-de-uma-mulher-só", Evelyn Evelyn, explorando, talvez de modo nunca antes explorado, uma idéia corajosa e até bizarra, mostrando de modo às vezes triste, às vezes cômico, a vida de duas (ou uma?) jovens irmãs siamesas. Como os ataques desta ex-senhorita (agora casada com meu outro ídolo, Sr. Neil Gaiman) são diversos e direcionados a diversas direções, é difícil, especialmente para alguém com um acesso tão restrito à internet, manter-se sempre em dia, mas não me escapou o lançamento do novo CD desta moça "Amanda Palmer goes down under", mais uma vez, magnífico, como se pode observar na maravilhosa música Australia. Bem, era isso. Claro que meu blog não vai virar um local de críticas e elogios, porque isso não é meu tipo de coisa, mas eu tinha que expressar essa minha admiração. Abraços a todos os meus leitores em potencial que tenham seu potencial convertido em realidade...

domingo, 10 de abril de 2011

Propensão à esquizofrenia

Ultimamente, sempre que vejo uma mensagem marcada como "importante", tento evitá-la; na maioria dos casos, a mensagem é simplesmente uma compilação de mentiras ou idiotices que se espalharam pela net: a "Crendice 2.0"

A mais recente que recebi foi um email falando sobre o estado de Roraima, e sobre a dominação americana da Amazônia (e até da Colombia, do infinito e além).

O início do email já indicou seu tipo de conteúdo, ao dizer que a cada 10 habitantes de Roraima, apenas 1 é nativo do estado, e só se vê japoneses, americanos, franceses... mas eu ainda encarei bravamente o restante do texto.

Posteriormente foi mencionado que não podemos explorar produtos nativos da região porque os americanos e japoneses já patentearam tudo (Só lembrando: não se pode patentear produtos naturais. eles são... naturais! não é uma invenção a ser patenteada. pra vender suco de laranja é preciso pagar royalties pra alguém? acho que não...).

O texto continuava jogando besteira atrás de besteira, e claro, não vou entrar no assunto da "dominação americana" na amazônia, mesmo porque tem gente que acredita piamente nela.
Queria apenas comentar sobre a ignorância (e nesse caso não quero dizer burrice) do pessoal que anda recebendo este email, e o repassando sem avaliá-lo antes.

Um email deste tipo vem, muitas vezes, com informações obviamente falsas ou duvidosas, e algumas vezes com erros de coerência no próprio texto, que nós simplesmente ignoramos. E afinal, ao receber um email com informações no mínimo polêmicas, o primeiro instinto é duvidar, certo? Não! O primeiro instinto é acreditar como um bobo. Depois, se houver algo além de instinto, se questiona. E é justamente esse questionamento, feito após a leitura atenta que leva a uma melhor compreensão do texto. A leitura desatenta seguida da passagem de emails, hoje em dia, é uma representação escrita de como as mentiras são transmitidas oralmente; alguém fala, outro alguém simplesmente acredita e sai contando por aí.

Somos condicionados a pensar "Ah, ele não mentiria desse jeito (para mim)" porque esta é, simplesmente, a "verdade" em que queremos acreditar. Que as pessoas não mentem para nós, o mundo é feliz e aquele moço dando balas para aquela criancinha tem um coração doce e circundado por borboletas de açucar cor de rosa; nós escolhemos acreditar no que nos dizem, porque é mais fácil fazê-lo que duvidar de tudo. Num processo similar ao que nos leva a passar ao lado de mendigos ignorando a realidade que os gera, e fazer comentários indiferentes sobre os assassinatos que formam o entretenimento de massa de nossa geração, a nossa mente foge à realidade, e cria um mundo lindo, onde as únicas vítimas de assassinatos, roubos, doenças e acidentes são os outros - e ainda, os desconhecidos, pois quais são as chances de que isso aconteça com nossos amigos? Nenhuma! Esse mundo em que vivemos se chama ignorância; se há algo que indica que o mundo não é tão bom quanto gostaríamos, deve ser ignorado.

Na maioria dos casos, afinal, a ignorância é voluntária; ou ao menos, a maior parte dela.