sábado, 20 de fevereiro de 2010

A gostosa

Não adianta; uma das certezas que se pode ter sobre qualquer homem é simples e óbvia: ele quer pegar a gostosa.

Aquela mulher voluptuosa, com seu grande chamativo decote, um par de coxas que a coloca seu corpo um pouco mais acima, e uma bunda - porquê é difícil moderar o linguajar ao se falar da gostosa - que faz com que todas as cabeças masculinas se inclinem. Essa é a gostosa. Ela pode ser vulgar, ou mesmo uma vagabunda(e aqui a preocupação com um vocabulário bonitinho vai pras cucuias) mas cara, como é gostosa! Faz parte do imaginário masculino. E as mulheres também sabem disso.

A atração pela gostosa, ainda que puramente sexual, está em todos os homens(e em algumas mulheres). Mesmo quem gosta de homem, muitas vezes não consegue conter uma exclamação, ou um olhar mais prolongado para a gostosa, ainda que não passe de admiração profissinal. Ela tem as características que vários anos de evolução(e muito menos, embora bem impactantes anos de televisão) levaram o homem, como animal, a inconscientemente enxergar ali tudo aquilo que vai garantir a saúde(e que saúde!) de sua prole. Aquele corpo atlético, aquela beleza, que certamente vai atrair homens com altos requisitos evolucionários, dos quais ela ao menos deveria escolher o melhor, detalhe sobre o qual não me cabe dizer nada. Claro que, hoje em dia, dependendo do tipo de pessoa que você é, você procura uma certa beleza interna, uma aptidão intelectual, um modo de ver as coisas... mas aquele animal dentro de você, invariavelmente, se sente atraído pela gostosa. Ela é a fêmea que seu predador queria - nem que seja apenas por uma noite, já que "gostosa" não é característica suficiente para manter a maioria das relações que prestam.

E depois de todos esses comentários sobre a gostosa, e sobre como os homens a veêm - dos quais alguém pode discordar -, chego ao ponto no qual eu queria chegar: por quê alguns homens dizem não gostar da gostosa?

Claro, alguns realmente não gostam. Como serial killers e podólatras, há pessoas que simplesmente gostam de outra coisa. Mas a maioria, como machos tradicionais, gosta. E dentre esses, alguns dizem que não gostam! Por quê isso?

Vamos imaginar uma situação fictícia. Nós temos um homem de seus vinte e poucos anos que sabe, seja lá por quê, que aquela gostosa bem ali está interessada por ele. Há os homens que não pensariam duas vezes e partiriam pra cima da gostosa, mas esse não. Ele não tentou. Ficou só jogando um olhar que não conseguia conter, ocasionalmente, mas não fez nada. Depois ele pode ter dito que a menina é uma vagabunda, muito fácil, ou sei lá. Não interessa o que ele respondeu, pois há uma coisa que espero ter deixado claro: ele, certamente, quer a gostosa. Todo homem quer. Então por quê esse comportamento?

Primeiro tem o mais simples, sobre o qual vou falar pouco: talvez a gostosa em questão realmente tenha uma fama de vagabunda e ele acha que não seria socialmente saudável ser visto com ela. A vida numa sociedade em que os outros se preocupam mais com você que você mesmo tem dessas coisas. Mas ainda assim: pode ter certeza que o cara quer. Ele volta pra casa com vontade, mas essa é uma arma contra a gostosa. E chega desse pedaço! não vou alongá-lo ainda mais...

Segundo: ele não gosta daquilo. acontece. há todo tipo de pessoas, ainda que a maioria não entenda "como é que pode".

Terceiro - mais uma vez, o ponto onde eu queria chegar - : medo. o cara tem medo. pode ser medo de rejeição, muitas vezes fruto de baixa auto estima("nossa, uma menina dessas nunca ia me dar mole"), influência de experiências passadas negativas(quase escrevi traumáticas), ou então aquela timidez natural que muitos têm, e que muitos odeiam.

O homem sem razão para aquela "fuga" se vê forçado a inventar alguma história que o proteja, algum argumento que lhe dê alguma razão para não ter aproveitado a chance com a gostosa. Ele tem que parecer "macho". Precisa de um motivo para ter evitado a gostosa. E isso não se aplica apenas a ela; esse tipo de homem, muitas vezes, precisa ter uma desculpa pra não ter tentado nada com aquela outra menina bonitinha, com aquela do sorriso lindo, ou aquela outra de quem ele gosta. Admitir fraqueza jamais! "Chegar" numa mulher hoje em dia é uma asserção de masculinidade. Homem é o cara que puxa o braço da menina na festa, ou o quê tenta "passar a conversa", mas jamais aquele que jaz sem coragem em um dos cantos da boate. Aqueles gostam de se sentir superiores a esses, e esses se sentem inferiores naturalmente.

E fica uma pergunta estranha: por quê todo esse medo? Talvez uma beleza excessiva seja intimidante, talvez o sujeito não acredite em sua própria capacidade de ação, mas há casos em que a beleza não é excessiva, ou em que tudo parece propício. Por quê o medo da rejeição em situações nas quais ela parece completamente improvável?

O medo, na verdade, é o mesmo. ele só é um pouco mais intenso em alguns casos; alguns o superam em situações favoráveis, alguns nunca. e parece derivar sempre da falta de confiança, de coragem, uma baixa auto estima, uma medo da própria capacidade, e eu estava me perguntando a quê essa falta pode levar. como as coisas podem mudar com um pouco mais de coragem. quais as mudanças você queria ter coragem de fazer em sua vida mais não tem? o que te leva a mudar, e o que te impede de realizar as mudanças que quer na sua vida?.. será que aquilo que você deseja não está logo ali, esperando que você acredite em si mesmo e, confiantemente, pegue a gostosa, figurativamente ou não?

Será que sua personalidade, seus medos, podem te travar tanto? Será que os grandes não confiam em si mesmos?

E você não é bom naquilo em que você acredita?

Bem, não vou me alogar por aqui. Cada parte desse texto poderia se prolongar por várias páginas. eu, afinal, não sou psicólogo para compreender, como diz o house, as "intrigantes janelas à mente humana". simplesmente comecei a pensar sobre isso, e cheguei a essas conclusões. Mas tudo é muito integrado; cada coisa leva a outra coisa, cada assunto, cada característica humana explica diversos comportamentos que influem em diversas situações, que muitas vezes, explicam determinada resposta comportamental... e tudo se relaciona com outra coisa. Se deixar levar pode durar para sempre.

Então, repetindo pela vigésima vez que não vou mais me alongar, acabo com o texto aqui, antes que ele acabe comigo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Gancho(s)

Sim, eu sei o que você está pensando. Certamente algo em torno de "Por quê diabolus o bruno não revisa e publica coisas direitas, sérias, e arrumadinhas por aqui?". Claro, você pode também estar pensando em "Por quê, ó deuses, por quê(!) o bruno insiste em publicar coisas com intervalos de tantos meses ??"

Caso você não esteja se perguntando nada disso, certamente você já desistiu desse blog, onde as coisas parecem acontecer com uma lentidão desesperadora, ou nunca o conheceu, sendo "você", então, todas as pessoas do mundo (exceto as já citadas, que são poucas - me pergunto o que isso quer dizer, e que tipo de extrapolação seria possível fazer a partir daqui, mas não me respondo, e como aparentemente ninguém o fará antes que eu termine esse post, me considero no direito e obrigação de deixar de lado essa pergunta tão levianamente auto-inflingida).

Bem, de qualquer modo, não era isso que eu queria dizer. Embora eu possa começar a partir de uma parte do raciocínio para chegar aonde quero.

Eu realmente tenho deixado este local aqui meio abandonado. E não quero que ele fique de lado assim. Eu queria realmente publicar umas coisas, mas esse semestre, sempre que eu tinha internet, não tinha tempo, ou tinha cansaço, ou não tinha internet novamente, e as coisas acabaram se complicando de modo que, entre minhas prioridades, não dava pra colocar o blog.

No ano que se inicia, porém, tudo parece mais promissor que no ano que passou. E as coisas parecem tender à mudança, incluindo um promissor aumento de tempo livre no meu calendário dos dias, o que favorecerá não apenas o blog, mas também as outras coisas que eu queria escrever há tempos mas nunca pude por falta de... tempo. ou às vezes dedicação, ou as duas coisas, mas agora que não posso mais usar a desculpa de falta de tempo, talvez eu crie vergonha na cara e comece a me dedicar um pouco mais à essas coisas literárias que, afinal, hoje fazem parte mesmo de meu dia-a-dia acadêmico, coisa que não estou certo se tem ou não hífen, mas decidi colocar porque me pareceu adequado.

Na realidade não era isso que eu queria falar. O post deveria ter algo a ver com a tal concepção de "pimenta nos olhos dos outros á refresco", aquela coisa de perdoar o criminoso que mata uma desconhecido, mas pena de morte para o FDP aquele que mata seu filho! e assim por diante. a moral flexível das pessoas e essas coisas. (claro que talvez eu não resistisse a abrir um parênteses mencinoando o fato de que "WTF" pareça fazer muito mais sentido que "FDP" - no sentido de que parece mais natural, ainda que seja de outra língua. a tal "F word" simplesmente não nos soa vulgar...)

mas a coisa é que isso tudo acabou fugindo tanto do assunto inicial que eu nem quero mais falar dele. vou deixar isso pra outro post, e deixar este servindo como lembrete. desse modo, eu não apenas coloco um novo post como também deixo um gancho para um post futuro, de modo que não demore muito a postar novamente. acho que vou até mesmo chamar este momento de "Gancho", pois assim a chance de que eu me lembre que ele é, realmente, um gancho, será maior. dois posts pelo preço de um!(ou seriam mais? podem ser meus olhos, mas acho que ainda tem pano pra manga escondido por aqui...)

então é isso. eu criei esse post com o objetivo de falar alguma coisa e acabei não falando nada, mas não tem problema - afinal de contas, muito texto bom não fala nada; este só tem o defeito de não ser um deles.