domingo, 29 de novembro de 2009

Flores cinzentas

Haviam potes de vidro estampados com flores amarelas empilhados em um canto da loja, e uma velha senhora, sentada atrás de um balcão, esperava que alguém entrasse.

Ela não entendia porquê estava vendendo tão pouco. As pequenas peças de decoração, os bonitos quadros(a maioria de natureza morta), as vasilhas e os vasos. Quase tudo permanecia lá. Provavelmente, não conseguiria sequer pagar o aluguel daquele cômodo, e sabia disso, emboaa preferisse tentar não pensar.

Como tudo seria mais fácil se seu filho ainda estivesse com ela! Nunca entendeu como ele pôde deixá-la daquele modo. Ela era sua mãe; cuidara dele por toda a vida, e agora ele a abandonava, como se ela houvesse se tornado um fardo que ele não se dispõe a carregar, mesmo que ela o tenha carregado por tanto tempo. Tudo havia ficado muito mais complicado. Desde que o marido morrera então…

Não! Melhor não pensar nisso. Melhor enxugar as lágrimas antes que algum cliente entre, e veja. Mas nenhum cliente entrava. Ela tinha que se esforçar, tinha que vender os produtos da loja na qual investira toda a herança deixada por seu marido; tinha que fazer render suas únicas posses. Tinha que multiplicar seu pouco dinheiro.

Mas ninguém entrava.

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