terça-feira, 21 de julho de 2009

(coisa antiga da comunidade. preguiça de procurar outras coisas lá... )

A chuva bate na janela, ás vezes suavemente, ás vezes com força, enquanto eu escrevo.

Ou tento escrever.

Consigo apenas formular pensamentos malfeitos e idéias tortuosas a respeito de você.

Você não está comigo. Minha música não está soando, ouço sons mas eles só me dizem que eu não tenho a mínima chance.

Quanto tempo levei para perceber toda sua beleza? Você esteve a meu lado por tanto tempo, e justo quando eu estou quase indo embora, eu percebo você, te quero, e você não pensa em mim, ou não sei.

Coisas que ainda ontem me fizeram rir, hoje parecem apenas amargas. Sons sem sentido, palavras sem significado, lembretes da sua existência, superior a cada um dos problemas, palavras, sons, poemas e músicas.

A maneira como seus cabelos que mal toquei e talvez nunca volte a tocar caem, seu jeito de sorrir quando está envergonhada, meu jeito envergonhado quando você sorri de algo que digo, minha mente que perde todo o sentido quando sente você se aproximando, você que sente, o quê?, quando me vê.

Eu não conheço você como gostaria e acho que nunca vou conhecer, sinto falta dos momentos que nunca passamos juntos, e tenho medo de que eles nunca venham a existir.

Minha imaginação vaga e eu a obrigo a voltar, tenho medo de estar em pouco tempo, onde o arrependimento e frustração colidem, arrependido por não tentar, frustrado por não ter conseguido nem isso.

Espero nunca ter que passar por este momento; esperaria por você, mas não ouso esperar tanto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ninguém

- Cara, você não acredita.
- O que foi?
- Ela terminou comigo.
- Terminou?
- Sim.
- Ah.
- Obrigado pela solidariedade.
- Ha. Olha, eu não devo solidariedade alguma, tá bom? Você nunca foi solidário comigo.
- Você já precisou?
- É lógico.
- Não percebi.
- Eu sei.
(silêncio, por alguns segundos)
- Aconteceu alguma coisa?
- Não.
- Então o quê...
- Esse é o problema.
- O quê?
- Nada acontece. Eu estou sozinho.
- Como assim?
- Em todos os sentidos.
(o amigo parecia desconcertado agora. tinha praticamente esquecido a história que pretendia contar)
- Fala comigo, cara.
(o primeiro suspirou)
- Sabe como a maioria das pessoas que você conhece já sofreu, ou desejou ardentemente alguém?
- Sim, o que tem?
- A maioria já namorou, e já se apaixonou?
- Sei, sei, e daí?
- Eu não.
- Você não?
- Não. Nunca me interessei por ninguém. Nunca me apaixonei... e você não tem idéia de como isso é triste.
- Mas se é assim... você nunca sofreu por alguém.
- Ha! Bem falado. Sofri por não ter ninguém. Por ver todos ao meu redor apaixonados... por ver que simplesmente não há ninguém no mundo que me entenda... que possa ser minha outra metade.
(um pouco mais de silêncio. o amigo olhava, um pouco assustado para o que era uma faceta inteiramente nova de uma pessoa que ele conhecia a tanto tempo)
- Mas não se preocupe cara.
(colocou o braço em volta do amigo)
- Ela está aí em algum lugar.

O primeiro sorriu. era um sorriso meio triste, mas era alguma coisa.

Mais tarde, chegaram alguns amigos. Mas ele ainda estava sozinho.