domingo, 11 de janeiro de 2009

Notícias como exemplo de um comportamento

Quantos de vocês assistem aos jornais?

Sendo pessoas esclarecidas, acredito que todos estejam sempre bem informados, cientes das últimas mudanças na situação econômica, da guerra no iraque, os últimos assassinatos, entre várias outras informações úteis, não é mesmo?

E porquê?

Porquê assistir ou ler a notícias é considerado algo "intelectual", se na maioria dos casos, nem mesmo se pensa em porquê deve-se ler aquelas mesmas notícias?

É importante ficar indignado com a violência? Só se você fizer alguma coisa para diminuí-la. De outro modo, sua indignação é completamente desprovida de significado. Ela se resume a um papo cuja única utilidade foi preencher um vazio que surgiu em alguma conversa.

Se você disser que gosta de ler as notícias, e por isso as lê, eu entendo. Se disser que é um ativista de alguma organização, e precisa saber de certas notícias em dia, eu entendo. Se você disser que produz algum tipo de arte e gosta de ler notícias como inspiração, se você for um cronista, ou até mesmo se gostar de ler as notícias apenas para preencher o espaço vazio em algumas conversas, eu entendo.

Mas eis o detalhe: você provavelmente acompanha as notícias por algum destes motivos.

Posso ter me esquecido de mencionar alguma coisa, mas os motivos se resumem bem aos que eu citei. A coisa é que a maioria das pessoas não admite que simplesmente gosta de ver catástrofes na televisão. Não tem nada pra fazer, a cabeça é vazia, e gosta de ver os acidentes mundo afora(em geral bem parecidos com os acidentes do mês passado, mas surpreendem novamente!). Além, é claro, de reclamar das políticas do governo que você não entende, mas das quais se falou mal no jornal. Sentir dó das criancinhas que aparecem no jornal, sem se lembrar das outras crianças mundo afora. Pressionar o governo na resolução de um assassinato ignorando crianças e adultos vivos e necessitados espalhados por todo o país, inclusive na sua esquina, mas que você só vai enxergar quando ele morrer de fome e for divulgado no jornal.

O caso da garota defenestrada é um gigantesco exemplo disso. Enquanto algumas garotinhas são estupradas pelos próprios pais, outras passam fome, outras... são submetidas a todos os tipos de humilhação e crueldade, dedicamos todas as nossas forças a castigar o assassino de uma garotinha já morta. Não que ele não deva ser castigado(afinal, esta é a nossa sociedade, mas essa é outra discussão), mas será que devemos nos dedicar a castigar os culpados mas esquecer aqueles que estão sofrendo na casa ao nosso lado?

A maioria das pessoas não assiste às notícias, mas tem suas decisões assistidas por elas. Mas a mídia é um assistente traiçoeiro, que direciona sua mente para os caminhos que a interessa.

E, na minha opinião, a maior entusiasta da alienação.






P.S: Conhecendo os leitores desse blog(ou ao menos os que comentam), imagino que isto aqui não se aplica a alguns de vocês ou, nos casos em que se apliqua, ainda assim irão entender. Estou escrevendo isso um pouco na pressa, não tenho tempo de revisar agora, mas vou publicar assim mesmo, e qualquer coisa eu altero depois. Podem reclamar, se quiserem.

Um comentário:

Victor disse...

Concordo bastante com o que você disse. Há mais ou menos um ano eu não acompanho jornais de tv - assisto às vezes, mas não o tenho como minha fonte principal de informação. Nesse ponto acho que a Internet, mesmo com todo o lixo e futilidades que circulam pela rede, ainda oferece um jeito mais 'limpo' de se informar. Você não senta na frente do PC e deixa que o William Bonner te diga o que está acontecendo, vc vai no Google e pode consultar milhares de fontes diferentes.
Lógico que toda mídia tem seus interesses, mas aí é questão de procurar as menos burras e de interesses menos gananciosos.