domingo, 28 de dezembro de 2008

diálogo sem nome

- Deprimido?

- Sim

- Porquê?

- Não sei muito bem... preocupações demais, acredito. A cabeça sempre cheia de ansiedades, medos e nervosismo. Não estou conseguindo controlar as coisas direito.

- Nossa. Nunca pensei que seria tão complicado administrar uma empresa como a sua.

- Não era, no início. Mas depois que crescemos, entramos no mercado de ações e passamos a ter que lidar com investimentos milionários... bem, os erros que se comete não são facilmente toleráveis quando você atinge esse nível. Mesmo como presidente da empresa, eu corro o risco de ser demitido. A preocupação é constante.

- Nossa... sinto muito mesmo. Se eu puder fazer alguma coisa...

- Não, não, obrigado. O que qualquer um poderia fazer? Eu acabaria ficando com a minha opinião no final. É perigoso aceitar conselhos nesse tipo de coisa. Mas falando em trabalho, como vai a padaria.

- Ah, como sempre, estou levando. Mês passado foi um pouco apertado, mas estou conseguindo alguma coisa. E não sei se você ficou sabendo, mas eu cheguei a publicar um livro.

- Minha nossa! Sério? Não tinha ouvido falar...

- Verdade... uma tiragem pequena, claro. É uma coisa nova, e não tão boa quanto eu gostaria, mas eu sempre sonhei em fazer isso. Não me importo em vender milhões sabe.
Eu ainda tenho algumas cópias na minha casa. Depois trago uma pra você.

- Muito bom mesmo hein... mas quando você escreveu?

- Eu costumo a ficar no caixa da padaria, lembra? Ali eu podia escrever sempre que não havia nenhum cliente, e ocasionalmente isso acontece. Costumava a gravar dentro de um pen drive e levar pra casa. então eu revisava, mudava, coisas assim. mas não tanto, é claro, pra poder sair com alguém, ou assistir a um filme.

- Nossa, nem fale. A quanto tempo eu não faço essas coisas...

- Ah, a vida sem elas não é a mesma coisa. Eu trabalho até as sete e meia, e depois aproveito o tempo livre pra essas coisas. Eu já deixo todos de sobre-aviso, caso eu me atrase, algum dos meus funcionários fica no caixa. Mas acho que só deixei isso acontecer uma vez, quando cheguei muito tarde em casa, depois de uma festa... eu adoro trabalhar lá, muitas vezes vou mesmo quando estou cansado...

- Bem que eu gostaria de dizer o mesmo viu. a minha nova banheira de hidromassagem, e as massagistas que eu contrato de vez em quando realmente me ajudam a relaxar... mas parece que o corpo não consegue se relaxar completamente quando a mente está muito irritada...

- Eu, há muito tempo ( e graças a deus) não sinto isso. qualquer dia desses, se você quiser, a gente se reúne, pra se distrair um pouco, talvez assistir um filme, ou coisa assim. eu conheci algumas garotas bem interessantes há pouco tempo.

- há muito tempo não ouço nada tão tentador viu... faz o seguinte... anota meu número, e me telefona quando tiver alguma coisa em mente.

- Tá ótimo.

Um mês depois, o padeiro já havia telefonado três vezes para seu amigo, mas ele não pôde ir em nenhuma delas. ele acabou desistindo, enquanto o empresário às vezes se pegava olhando para o telefone e pensando: se ele ligar agora, eu juro que vou!

3 comentários:

Thalyta França disse...

ai que chato hein..
;/
esperar é a pior coisa que tem, aliás uma das...
;P

Marcus Vinícius disse...

Triste isso hein...

Já devo ter te falado que adoro esse estilo de "narrativa" só com diálogos, e tu faz muito bem isso.

Abraço! E feliz Ano Novo!

Bruno disse...

valeu rapaz =D

na verdade, é um dos estilos que mais me sai naturalmente. e acho que o nome dele é realmente só "diálogo"...
valeu plo coment tb, thalyta =)

ah, e o blog anda meio parado pq eu machuquei a mão e está péssimo pra digitar...